Tecnologia e esporte caminham lado a lado

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Inovações ajudam atletas a superar expectativas e quebrar recordes. Foto: Divulgação

A vontade de testar e superar limites é da natureza humana. Ser o mais rápido, o mais resistente, o mais forte e não desistir apesar das circunstâncias compõem o espírito olímpico que merece ser mostrado ao mundo inteiro.

A diferença entre o ouro e a prata nos jogos olímpicos pode ser separada em uma fração de segundos, em menos de um piscar de olhos. Em Pequim no ano de 2008 a vitória da americana, Michael Phelps sobre o checo Milorad Cavic foi separada por um mísero centésimo de segundo.

Nos jogos de Tóquio em 1964, a fabricante japonesa de relógios Seiko popularizou o engenhoso sistema de quartzo ao sistema de cronometragem oficial do evento. O que foi uma grande revolução no momento de sua introdução aumentando a precisão da medição do tempo nas competições, hoje está presente no pulso de milhares de pessoas ao redor do mundo e desde então são responsáveis em resguardar a magia e a justiça dos jogos olímpicos, onde um detalhe faz toda a diferença.

Nos mesmos jogos de Pequim outra inovação foi posta a prova, os maiôs de alta performance. Com estudos realizados em túneis de vento da NASA em busca de menor atrito e tecidos de última geração que proporcionassem um melhor fluxo de oxigênio aos músculos e maior capacidade de repelir líquidos. O avanço permitiu a diminuição do tempo de cronometragem, em média dois por cento por prova. Posteriormente, a Federação Internacional de Natação baniu o uso do maiô das competições por auxiliarem demais os atletas em quebras de recordes.

Inovação para você

Cercada de suspense e expectativa, a surpreendente abertura da Rio 2016, foi vista por mais de 3,5 bilhões de espectadores ao redor do mundo, este alcance nunca visto na história se deve à internet. Só a rede de televisão americana NBC desembolsou 1,3 bilhão de dólares em direitos de transmissão dos Jogos até 2032. A emissora retardou sua transmissão em uma hora para atingir o horário nobre da costa leste dos Estados Unidos, e em troca teve a maior audiência da história.

Os acordos de transmissões firmados tanto pelo grupo NBC-Universal e grupo Globo realçam uma nova tendência midiática, os contratos de exclusividade que agora são válidos para a internet e não mais para a televisão como eram tradicionalmente firmados.

A chamada segunda tela, seja ela tablet, celular ou computador será fonte de informação e interação, além de permitir que qualquer pessoa com acesso à internet acompanhe aos jogos quando e como quiser. O grupo Globo pretende exibir mais de mil horas de cobertura das Olimpíadas, somando-se o conteúdo televisivo e o virtual. Já o Sportv, canal pago de esportes do grupo, faz o acompanhamento total do evento, com 16 canais a cabo e mais 40 sinais pela internet.

Se sentir lá mesmo não estando. Essa é a promessa da realidade virtual, que gigantes da tecnologia como a sul-coreana Samsung vêm batendo forte. Seguindo a tradição de testar e apresentar grandes avanços tecnológicos a cada edição, o Rio de Janeiro em 2016 não será diferente.

Em conjunto, a NBC e a Samsung prometem entregar 85 horas de programação em 360° para o público norte americano através do aplicativo da emissora. Com atraso de um dia, nenhuma competição será exibida ao vivo e nem estará disponível por mais de um mês após o fim dos Jogos por ser um produto em fase de testes. A tecnologia promete transformar juízes e atletas em cameramens e os espectadores vivenciarão a experiência de estar na pele dos mesmos, através de óculos de realidade aumentada.

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A tecnologia de realidade virtual é considerada por muitos, como Mark Zuckerberg, fundador do Facebook o futuro da tecnologia. Foto: Divulgação Samsung

Outra inovação para as olimpíadas do Rio ainda que para um público mais restrito são as transmissões em 4k, também chamada de ULTRA HD, que possui resolução de imagem quatro vezes maior que a atual, FULL HD. Ainda em processo experimental de transmissão ao público, somente alguns eventos dos jogos serão transmitidos com a nova tecnologia. Para assistir basta uma televisão 4k e acesso à internet de alta velocidade.

Próxima etapa

Referência da alta tecnologia, os japoneses já estão dois passos a frente em matéria de tecnologia audiovisual. Eles já trabalham na transmissão Super High-Vision 8k, considerada por especialistas o futuro da televisão, com resolução 16 vezes maior que a atual HD e com suporte a 22 canais de áudio.

Essas especificações combinadas trazem maior sensação de imersão aos espectadores, porém a mesma ainda será restrita a televisão estatal japonesa, em caráter experimental.

Em ritmo acelerado de final olímpica dos 100m rasos empresas de tecnologia correm contra o relógio a fim de mostrar ao mundo sua mais nova grande invenção, daqui quatro anos. A intenção é entregar essa experiência ao público japonês nas próximas Olimpíadas, que serão realizadas em Tóquio, no ano de 2020.

Por Luiz Mendes.