Paulo Dybala é um dos destaques da geração Argentina, porém não foi liberado por seu clube.
Paulo Dybala é um dos destaques da geração Argentina, porém não foi liberado por seu clube. Foto: Divulgação

Em meio a um caos político e institucional, a AFA (Associação de Futebol Argentino) nomeou o ex-zagueiro, Julio Olarticoechea como treinador da seleção olímpica. Após a polêmica saída de Gerardo “Tata” Martino, que não recebia há oito meses. Pego de surpresa, o novo técnico precisou fazer a convocação definitiva para as Olimpíadas às pressas. Além disso, enfrentou a dura resistência de diversos clubes em liberar jogadores.

A primeira barreira foi o gol, já que o River Plate não liberou Augusto Batalla. Assim Axel Werner, do Atlético Rafaela, e atualmente em negociação com o Atlético de Madrid-ESP, foi chamado. No mundial sub-17 de 2011, Werner já tinha sido escalado como reserva. Porém, o dono da posição é Gerónimo Rulli do Real Sociedad-ESP, jovem de 24 anos que já é considerado o futuro goleiro da seleção principal do país.

Olarticoechea chamou apenas dois laterais de origem. Para o lado direito, José Luis Gómez que é mais ofensivo e muito produtivo. Pertence ao Racing, mas este ano jogou pelo Lanús e conquistou o título argentino. Na lateral esquerda, o desconhecido Alexis Soto que, apenas este ano, começou a atuar com frequência pelo Banfield. O titular seria Jonathan Silva, do Sporting e atualmente no Boca Juniors por empréstimo, porém não foi liberado para o torneio.

Os zagueiros são Lisandro Magallán e Lautaro Gianetti que participaram do fracasso no Sul-americano sub-20 de 2013, e não corresponderam às expectativas em seus clubes – Boca Juniors e Vélez, respectivamente. Com eles está Leandro Vega, o jovem zagueiro do River Plate, que também pode atuar como lateral-esquerdo e tem bom histórico nas seleções de base da Argentina, sendo titular desde os 14 anos.

O último nome para a posição é Vítor Cuesta que apresentou bom desempenho nas últimas temporadas pelo Independiente e estava na equipe vice-campeã da Copa América Centenário. Um dos poucos acima de 23 anos, Cuesta assume, também, a braçadeira de capitão do time olímpico. Seu companheiro de zaga seria Emanuel Mammanna, porém o jovem não foi liberado pelo Lyon.

 No meio de campo, Olarticoechea apostou em quatro atletas. Santiago Ascacibar, de 19 anos, subiu este ano para os profissionais do Estudiantes e, devido a sua boa marcação, conquistou lugar entre os titulares. O garoto recebeu, também, o apelido de “novo Mascherano”.  Outro volante é Lucas Romero que joga no Cruzeiro, tem eficiente saída de bola e um bom chute a distância. De acordo com o esquema tático da seleção principal os dois brigariam por uma posição, porém com a troca de treinador, talvez possam atuar juntos.

Joaquín Arzura provavelmente será reserva, após duas temporadas razoáveis no Tigres, de onde saiu para jogar pelo River Plate. Já Mauricio Martínez, que foi titular durante três temporadas no Unión de Santa Fe e recentemente assinou com o Rosário Central, deverá brigar pela titularidade com Romero e Ascacibar.

Setor ofensivo

Para a criação de jogadas foram chamados dois jogadores, um deles seria Manuel Lanzini que fez uma surpreendente temporada no West Ham-ING, porém o meia foi cortado após lesionar o joelho. Para seu lugar foi convocado Cristian Pavón, destaque do Boca Juniors nos últimos meses.

 O segundo jogador de criação é Giovani Lo Celso, do Rosário Central, o jovem canhoto tem habilidade como armador e lateral. Se destacou na Copa Libertadores deste ano, ao ser escolhido pelo jornal italiano La Gazzetta dello Sport como um dos 50 melhores jogadores sub-20 do mundo. A partir de 2017 jogará pelo Paris Saint-Germain.

A verdade é que este setor do campo poderia ser muito mais qualificado, porém muitos clubes não liberaram jogadores “chaves” para a Argentina. O veto do Atlético de Madrid cortou Kranevitter, que seria o volante de marcação do time. Além dele, Franco Cervi, do Benfica-POR e Leando Paredes, do Empoli-ITA, não chegaram a um acordo com seus clubes. Joaquín Correa, que jogou a última temporada pelo Sampdoria-ITA e recentemente assinou contrato com o Sevilla-ESP recebeu o aval do técnico Jorge Sampaoli, porém a diretoria do clube espanhol vetou a convocação.

Paulo Dybala, Mauro Icardi e Luciano Vietto. Este poderia ser o trio ofensivo, mas novamente os clubes não colaboraram, jogadores de primeiro nível como eles não foram liberados e o ataque argentino vem desfalcado.

O principal nome do ataque argentino nos Jogos é Ángel Correa, que se destacou na Libertadores de 2014, quando foi campeão pelo San Lorenzo. Atualmente, joga pelo Atlético de Madrid e já atua na seleção principal, além de boas passagens pelas categorias de base da albiceleste. Seu companheiro de ataque deve ser Jonathan Calleri, que teve um ótimo período no São Paulo e provavelmente jogará no West Ham após as Olimpíadas.

O último nome que deve compor o trio é Cristian Espinoza do Huracán, um excelente jogador e com enorme potencial. O centroavante, e último nome da lista, é o filho de Diego Simeone, Giovanni. Foi campeão do Sul-americano sub-20 de 2015 quando compôs o ataque ao lado de Correa e Espinoza, se destacou no torneio com nove gols em nove jogos. Pertence ao River Plate, mas na última temporada jogou pelo Banfield, onde voltou a ganhar destaque.

A Argentina estreia pelo grupo D no dia 4 de agosto contra Portugal, no Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro.

Por Caio Castilho